"Queriam silenciar-me": Leonardo Marcos reaparece em liberdade e faz graves acusações contra o SIC
Luanda, Angola - O activista Leonardo Marcos recuperou a liberdade nesta segunda-feira (13), depois de permanecer vários dias sem que familiares e colegas soubessem do seu paradeiro. À saída do Tribunal Dona Ana Joaquina, onde seria submetido a julgamento sumário, o activista afirmou que nunca esteve legalmente detido, mas sim "raptado", acusando agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de o manterem incomunicável e de o submeterem a alegados maus-tratos durante o período em que esteve privado da liberdade.
Segundo Leonardo Marcos, tudo começou após a divulgação de um vídeo que, segundo as autoridades, alegadamente atentava contra o bom nome do SIC. O activista rejeita essa acusação e garante que nunca recebeu qualquer notificação antes de ser levado por indivíduos que identifica como agentes da corporação.
"Não foi detenção, foi rapto. A intenção era silenciar a minha voz", declarou.
O activista afirmou que apenas soube onde estava detido quando foi retirado da cela para ser conduzido ao tribunal. Segundo o seu relato, permaneceu vários dias sem conseguir contactar a família ou o advogado e esteve alojado numa cela que descreveu como desumana.
Leonardo denunciou ainda alegada tortura psicológica, afirmando que dormiu no chão, sem colchão nem lençol, permaneceu dias sem tomar banho e sem acesso a condições básicas de higiene.
Durante as declarações à imprensa, criticou a actuação de alguns agentes do SIC e defendeu que a instituição deve concentrar esforços no combate à criminalidade violenta.
"O SIC devia estar atrás dos assaltantes dos bancos e dos criminosos perigosos, e não a perseguir activistas", afirmou.
O activista acusou igualmente algumas pessoas ligadas ao movimento cívico de terem montado uma alegada armadilha que facilitou a sua captura. Essas acusações representam exclusivamente declarações de Leonardo Marcos e não foram confirmadas pelas autoridades.
O advogado Dário Gaspar considerou que houve violação dos direitos fundamentais do seu constituinte e defendeu a responsabilização dos agentes envolvidos, caso sejam confirmadas irregularidades.
Segundo o jurista, num Estado democrático, nenhuma pessoa pode ser privada da liberdade sem o cumprimento dos procedimentos legais previstos.
Também familiares manifestaram alívio pela libertação do activista. O pai de Leonardo Marcos agradeceu a Deus, aos advogados e aos cidadãos que acompanharam o caso, afirmando que acredita que "a verdade acabou por prevalecer".
Já representantes do movimento cívico defenderam que o activista deve ser indemnizado pelos alegados prejuízos sofridos durante os dias em que permaneceu desaparecido.
Após recuperar a liberdade, Leonardo Marcos garantiu que continuará a exercer a sua actividade cívica, assegurando, contudo, que respeitará todas as medidas legais impostas enquanto decorrer o processo.
Até ao momento, o Serviço de Investigação Criminal (SIC) ainda não divulgou qualquer posição oficial sobre as acusações feitas pelo activista nem esclareceu as circunstâncias da sua retenção.

Comentários
Enviar um comentário