Candidatura de Higino Carneiro à presidência do MPLA é rejeitada; partido aponta alegadas assinaturas falsificadas e caso poderá seguir para os órgãos competentes
Luanda, Angola - A candidatura do general na reforma Francisco Higino Lopes Carneiro à presidência do MPLA foi rejeitada pela Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso Ordinário do partido, que alega ter detectado graves irregularidades na documentação apresentada, incluindo alegadas assinaturas falsificadas e utilização indevida de documentos de identificação.
A informação foi avançada pelo coordenador da Subcomissão de Candidaturas, Job Capapinha, que explicou aos jornalistas que, durante a análise do processo submetido pelo candidato, foram identificadas diversas inconformidades consideradas graves.
Segundo o responsável, entre as irregularidades detectadas constam alegadas falsificações de assinaturas e utilização indevida de documentos de identificação, factos que, na óptica da comissão, poderão configurar ilícitos de natureza criminal.
Perante essas constatações, Job Capapinha anunciou que o processo será remetido aos órgãos competentes do partido para o devido tratamento, nos termos do regulamento eleitoral e do Código de Ética do MPLA.
"Esta subcomissão, perante a gravidade dos factos, passivos de responsabilização criminal, vai submeter este processo de candidatura aos órgãos competentes do partido para o seu devido tratamento nos termos legais reafirmados no regulamento eleitoral e pelo Código de Ética do MPLA", declarou.
Equipa de Higino Carneiro promete impugnar a decisão
Em reacção à decisão, fontes ligadas à equipa de Higino Carneiro, citadas pelo Novo Jornal, garantiram que será apresentado um processo de impugnação, contestando a rejeição da candidatura.
A decisão representa um novo capítulo no processo eleitoral interno do MPLA, numa altura em que Higino Carneiro era apontado por vários militantes e observadores como um dos principais nomes na disputa pela liderança do partido.
Mais de 19 mil assinaturas tinham sido anunciadas
Antes da rejeição, Higino Carneiro havia anunciado que a sua candidatura foi acompanhada por mais de 19 mil assinaturas de militantes, número bastante superior às cinco mil subscrições exigidas pelos estatutos do MPLA para concorrer à presidência do partido.
Na ocasião, o general afirmou que pretendia reforçar a democracia interna do MPLA, defender o cumprimento dos estatutos e contribuir para a unidade da organização, defendendo uma candidatura voltada para "somar e não dividir".
Congresso realiza-se em Dezembro
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, sob o lema "MPLA 70 anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro".
Segundo o partido, o congresso deverá reunir cerca de 3.000 delegados, que irão eleger a nova liderança da organização para os próximos anos.
Até ao momento, Higino Carneiro ainda não se pronunciou publicamente sobre as alegações de irregularidades apresentadas pela Subcomissão de Candidaturas, mantendo-se apenas a informação, avançada por fontes da sua equipa, de que a decisão será contestada pelos meios previstos nas normas internas do partido.
Fonte: Novo Jornal.

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